O
Candomblé é uma religião afro-brasileira, ou seja, é uma religião brasileira de
matriz africana. Tem seu inicio na terra de todos os santos, cultuando e
idolatrando as divindades, conhecidos na África Nagô, assim como no Brasil e outros
países como: “Orixás”. Mas não é somente os Orixás que são cultuados, existem
principalmente, Divindades cultuadas anteriormente aos Orixás no Brasil, as
Mahamba e Minkisi, ambas as divindades originariam das terras hoje denominadas
de Angola e Congo.
No
século XVII existiu em Salvador uma Irmandade na Igreja de Nossa Senhora do
Rosário dos Pretos do Pelourinho, cujo nome é; Venerável Ordem Terceira do
Rosário de Nossa Senhora das Portas do Carmo, fundada pelos negros de origem
angolense. Provavelmente os negros de origem congolense, moçambicano e outros,
também contribuíram. Nessa Irmandade, era cultuada, nos altares laterais das
Igrejas, Nossa Senhora da Boa Morte, assim como varias outras Irmandades em
Salvador.
Muitas
negras africanas alforriadas (livres), grande parte Nagô, originaria do Reino
de Kétu, assumiram esse culto, provavelmente no final do século XVIII. Mas,
depois de um determinado tempo, o transferiu para a Igreja da Barroquinha.
A
Igreja da Barroquinha desde o ano 1764 pertencia a Irmandade de Nosso Senhor
dos Martírios, fundada pelos negros alforriados (livres), conhecidos como Jêje.
Essas mulheres Kétu, se uniram no ramo feminino da Irmandade dos Martírios,
composto por mulheres africanas Jêje, essas, esposas e parentes dos africanos
negros de origem Jêje. Uniram com o propósito de se fortalecerem em irmandade,
no bairro negro da Barroquinha, e com o intuito de cultuarem Nossa Senhora da
Boa Morte.
Essas
mulheres de origem Kétu e Jêje em sua maioria nessa Irmandade, que não era
igual a muitas outras que existia em Salvador, cultuavam os Orisá, camuflados,
no culto católico a morte e assunção da Virgem Maria. Desta forma cultuavam e
adoravam os Orisá sem a perseguição da policia ou da Igreja.
O
primeiro Candomblé a se originar, foi na Bahia, Salvador. Provavelmente no ano
de 1830, no século XIX, as mulheres Kétu e Jêje, fundaram em um terreno, a
primeira “Casa de Candomblé”, atrás da Igreja da Barroquinha, cujo nome desta
“Casa Religiosa” era conhecido como: Iyá Omi Ase Aira Intilé. Mas por vários motivos,
percorreu vários bairros de Salvador, onde se instalou por definitivo, no
bairro Vasco da Gama. Popularmente essa “Casa de Candomblé” é conhecida como
“Casa Branca do Engenho Velho”, mas seu nome, após ter se instalado neste
bairro, recebeu o nome Ilê Ase Iya Nassô Oká.
Segundo
o antropólogo Renato Silveira, antes da existência do Candomblé da Barroquinha,
já existia outras organizações de culto a divindades africanas, essas de origem
Bantu. Mas tendo no Candomblé da Barroquinha a associação de vários elementos
litúrgicos de varias etnias, principalmente dos Nagô e dos Jêje, servindo o
Candomblé da Barroquinha como modelo a todos os Candomblés, independente das
etnias.
As
outras etnias que optaram servirem do modelo do Candomblé da Barroquinha, apenas
fizeram um pequeno e importante ajuste, não podiam cultuar as mesmas Divindades
que os Kétu e Jêje, e, muito menos cantar os mesmo cânticos deles. O motivo era
obvio, pois suas Divindades era diferentes as dos Nagô e dos Jêje. Cada etnia,
carregava consigo uma lingua própria, cânticos próprios e principalmente
Divindades próprias, cujo nome delas, hoje cultuadas nos Candomblés de Nação
Angola é Mahamba ou Akixi, cujo singular é Hamba pro plural Mahamba e Mukixi
pro plural Akixi. Já no caso dos Candomblés de Nação Kongo, cultuam os Minkisi,
cujo singular é Nkisi.
Mas
não podemos esquecer que, com o decorrer das décadas, algumas casas de
Candomblé de nação Angola e de nação Kongo, seus dirigentes, submeteram em
novas obrigações religiosas a suas Divindades, como no caso do Sacerdote do
Bate Folha que tinha seu Candomblé de nação Kongo, após tomar suas obrigações
com uma Sacerdotisa do Candomblé de nação Angola, Mametu Twenda dya Nzambi,
mais conhecida como Maria Neném, passou a cultuar em sua “Casa Religiosa”
Divindades de origem angolense, e seu Candomblé passou a ser conhecido como
Candomblé de nação Kongo-Angola, classificando a sua nação de origem e a de
herança.
Voltando
as outras organizações religiosas, precisamente no século XVII, existente anterior
ao Candomblé da Barroquinha, formado pelos povos de origem Bantu, denominado
como Kalundu (Calundu) Este o primeiro sistema “Religioso” altamente bem
organizado no Brasil pelos negros de origem Bantu.
Segundo
o antropólogo Renato Silveira, as noticias sobre os cultos religiosos dos
africanos no Brasil, é datado desde o século XVII. O Kalundu não tinha templos
próprios como o Candomblé na atualidade. Tinham um calendário de festas anuais,
e suas festas eram publicas bem organizadas pelos adeptos em residências de
pessoas importantes ou em casas destinadas a outras ocupações religiosas ou
não.
O
Kalundu era freqüentado por um numero grande de fieis, tanto negros quanto
brancos vindos de vários arraiais da vizinhança. O Kalundu tinha adeptos
iniciados em diversas funções. Existiam três tipos de sacerdócio, “Calunduzeiro
(a)”, “Curandeiro (a)” e “Adivinho (a)”, onde podia um único Sacerdote ou
Sacerdotisa exercer esses três tipos de sacerdócio, como foi o caso da Luiza
Pinta, cuja comprovação foi encontrada nas documentações da época, pesquisado
pelos antropólogos.
O
Sacerdote ou Sacerdotisa do Kalundu prestavam atendimentos particulares à
população, assim aumentando sua própria renda, se tornando financeiramente
independente com essas prestações de serviços a população, que o próprio Estado
Colonial não sustentava.
Segundo
Renato Silveira (2005), o estudo sobre as primeiras comunidades religiosas de
origem africana em terras brasileiras, como no caso do Kalundu (Calundu), foi
alvo de interesse, de estudos, de muitos historiadores e antropólogos. Onde,
aproximadamente por volta de vinte anos, uma grande massa de informações,
convencionou chamar o Kalundu de “Calundu Colonial”, justamente por ser de
épocas ainda coloniais.
Essa
massa de informações passou a ser revelada pelos historiadores e antropólogos
brasileiros, esses, que investigaram os arquivos públicos e da Santa
Inquisição. Nos arquivos deparam com novos dados e interpretações sobre o
Kalundu. Então, as cenas historiográficas passaram a ser preenchidas, por
pessoas (Sacerdotes e adeptos) desse misterioso e desconhecido por muitos
candomblecistas e umbandistas, um culto de origem africana, propriamente de
origem Bantu.
“Figuras como o congolês
Domingos Umbata, flagrado em 1646 pelos visitadores da Inquisição na capitania
de Ilhéus; a angolana Branca, ativa na cidade baiana de Rio Real nos
primeiríssimos anos do século XVIII; outra angolana, Luzia Pinta, muito bem
sucedida na freguesia de Sabará, nas Minas Gerais, entre 1720 e 1740; a courana
Josefa Maria ou Josefa Courá com sua “dança de Tunda”, estabelecida em 1747 no
arraial de Paracatu, Minas Gerais; o daomeano Sebastião, estabelecido em 1785
na cidade de Cachoeira, no Recôncavo Baiano; e enfim Joaquim Baptista, ogan
(uma espécie de líder de terreiro) do “culto ao deus Vodum”, no Accu de Brotas,
freguesia periférica da cidade da Bahia, em 1829. A esta lista poderia
ser acrescentada uma significativa aquarela de Zacharias Wagener, artista que
viveu no Pernambuco holandês de 1634
a 1641, representando uma festa de africanos e trazendo
preciosas informações visuais sobre a variedade e a disposição dos atores,
figurinos e instrumentos musicais” (Silveira, 2005).
Os
Sacerdotes do Kalundu, que podiam exercer três tipos de sacerdócio, como foi o
caso da angolana Luiza Pinta, que era Calunduzeira, Curandira e Adivinha na
cidade Sabará do Estado de Minas Gerais, foi significativo para que os
historiadores e antropólogos descobrissem que “além de oficiantes religiosos,
sabiam preparar tisanas, cataplasmas e ungüentos que aliviavam os males
corriqueiros dos habitantes da colônia...” (Silveira, 2005).
Além
dessas habilidades e dom divino exercido pelos Sacerdotes do Kalundu, “eram
capazes de curar doenças graves como tuberculose, a varíola e a lepra...”
(Silveira, 2005), época que essas graves doenças levavam suas vitimas ao
óbito.
Segundo
Renato Silveira (2005), os Sacerdotes do Kalundu usavam os recursos da
farmacopéia tradicional, tendo participações em meados do século XIX, no
combate as epidemias que atormentava a Bahia.
Os
Kalundu eram prestativos, compunha uma belíssima paisagem para a sociedade,
seja ela alta ou baixa, bastava qualquer tipo de doenças se adquiridas por
membros de uma família, para que os Sacerdotes do Kalundu fosse consultados,
pois são tão habilidosos na profissão de curandeiros, que não curava somente
tuberculose, varíola ou lepra, mas também curava distúrbios mentais ou
espirituais, usando tratamentos tradicionais, cominados e um bastante complexo,
que respondiam a uma necessidade de diversas classes sociais, principalmente as
carentes.
A
intenção dos Sacerdotes do Kalundu era fazer justamente como era na África,
tornar o culto do Kalundu, instituições publicam e reconhecidas pela população,
onde podemos compreender os motivos de terem um culto aberto a publico de todas
as classes sociais, pois não queriam ser vistos como seitas secretas, coisa que
não são e nunca foram. “Assim, desde o século XVII os calundus funcionavam
normalmente no Brasil, pelo menos ate que seus lideres se tornassem muito
visíveis, angariam clientela branca ou se envolvessem em revoltas” (Silveira,
2005).
Nos
arquivos encontrados pelos historiadores e antropólogos, descobriram noticias
de curandeiros e adivinhadores recebidos em monastérios, nos meios a sociedade
branca e rica, onde eram bem pagos por suas atividades prestadas, e até mesmo
agraciados pelo rei de Portugal. Eram,
ate comum alguns brancos da época, pagarem caro por escravas ou escravos,
especialmente mulheres curandeiras, como ocorrido na Bahia.
“Na cidade de Rio Real, no
interior baiano, o Santo Oficio identificou o caso de um senhor empresário que
pagou caro por pelo menos duas escravas curandeiras afamadas, montando com elas
uma espécie de clinica onde se praticavam vários tipos de cura, e dividindo com
elas todos os lucros” (Silveira, 2005).
Acredita-se
que os Sacerdotes e adeptos do Kalundu, nos séculos XVII, XVII ou XIX tivessem
sido perseguidos por suas praticas religiosas. Caso isso fosse realidade, pelo
menos se desse em grande massa, os Sacerdotes jamais teriam se estabelecidos
estavelmente, tanto religiosamente quanto financeiramente, como no caso da
angolana Luiza Pinta, que manteve, tanto suas praticas religiosas, o Kalundu,
quanto sua vida particular, durante vinte anos na cidade de Sabará no estado de
Minas Gerais (Silveira, 2005).
A
eficiência e competência dos negros africanos, especialmente os povos Bantu,
sem diminuir os Nagô e os Jêje, por quem tenho maior prestigio, são comentadas
em todas as tribos em terras bantu, por serem excelentes curandeiros e
feiticeiros na pratica de proclamar a boa magia da saúde de quem os procuram,
livrando-os de muitas doenças e aflições causadas por espíritos.
“A
eficiência dos saberes africanos era publica e notória, mas na pratica sua
existência questionava o monopólio da cura atribuído a Igreja e mesmo a
medicina oficial” (Silveira, 2005).
A
eficiência dos negros africanos, no continente africano, durante a colonização
dos europeus, jamais foi vista, e sim condenadas como coisas diabólicas. Pois,
quando um homem branco descobre uma nova erva medicinal (curativas), os
colonizadores logo dizem ser um cientista, mas quando é o negro africano,
descobre a mesma erva medicinal, a Igreja Colonial logo exclama ser um
feiticeiro.
Segundo
Renato Silveira (2005), os integrantes do Kalundu neste lado do Atlântico,
calunduzeiros de diversas origens africanas, como os de regiões do Sul da
África, de Angola, do Kongo, de Moçambique (estes de origem Bantu) e os de
origem Daomeana, hoje atual Republica do Benin, localizado na África Ocidental
(estes de origem Jêje), acabaram aderindo o catolicismo.
O
sincretismo com os cultos religiosos dos ameríndios se deu com os povos de
origem Bantu.
O
culto religioso dos negros no Brasil, anterior ao Candomblé, denominado Kalundu
pelos negros de origem Bantu, hoje se encontra em extinção, por conta da
migração de religiões como relatou o antropólogo Renato Silveira, e como ainda
precisa-se de muitos estudos sobre o Kalundu, deduz que a Umbanda é originaria
do Kalundu.
De
acordo com Renato Silveira (2005), os Kalundu, como o da angolana Luiza Pinta,
chegaram a misturar tradições africana, católicas e indígenas no mesmo ritual,
originando-se o que conhecemos hoje como Umbanda.
“Alguns,
como o de Luzia Pinta, misturaram tradições africanas, católicas e indígenas no
mesmo ritual, dando origem ao que se convencionou chamar umbanda” (Silveira,
2005).
Parecem
existir duas vias do Kalundu ainda existente na atualidade deste século (século
XXI), pelo menos resíduos de sua existencia; uma é a Umbanda que, supostamente
originou-se da mistura do Kalundu de Luzia Pinta, que fez introdução ou
deixaram ser introduzido por alguns de seus seguidores, por ela iniciados, os
cultos católicos e indígenas; quanto à outra via da existência da Kalundu, se
encontra em casas religiosas denominadas como “Candomblé de Caboclo”. Mas
existe quem contradiz essas hipóteses.
Os
negros de origem Bantu, Kêtu, Jêje ou outro, passaram a melhor se unirem, com
propósitos concretos, de serem reconhecidos como seres humanos, e, poder
cultuar seus deuses livremente, sem a pressão contra suas praticas religiosas,
principalmente fazer de suas religiões reconhecível por todo o estado da Bahia
e pelos quatros cantos do Brasil. Assim conseguiram, reorganizaram o culto na
cidade, exibiu como instituição urbana legitima, onde adquiriu a oficialização
com religião, mas foi em Salvador, que esse objetivo se tornou realizado com
sucesso, no bairro da Barroquinha.
Um grande abraço aos amigos!
Tata Kitalehoxi!